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Conversão Química de Dióxido de Carbono

26.12.2018

Cláudio Mota, Diretor do Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro

O aquecimento global, oriundo da emissão de gás carbônico ou dióxido de carbono (CO2), pela queima de combustíveis fósseis, é um dos maiores desafios para a humanidade neste século. O CO2 não respeita fronteiras; o gás emitido em um país ou continente afeta o clima de outros países ou continentes, tornando-se um problema global.

O petróleo, carvão e gás natural continuarão a ter parcela importante na matriz energética mundial, apesar de todo o esforço para o avanço do uso das energias renováveis, como biocombustíveis, eólica e solar. Portanto, será preciso encontrar soluções que mitiguem o efeito do CO2 emitido sobre o clima do planeta. Neste contexto, a captura e conversão do CO2 em combustíveis e produtos químicos aparece como alternativa viável do ponto de vista econômico, ambiental e social, contribuindo para a maior sustentabilidade do planeta.

As pesquisas conjuntas entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, e a Universidade de York, no Reino Unido, buscam encontrar soluções técnica e economicamente viáveis para o aproveitamento do CO2 emitido pela queima de combustíveis fósseis, transformando-o em insumos químicos, como os carbonatos orgânicos. Estas substâncias possuem inúmeras aplicações, que vão desde a produção de plásticos de alta resistência, usados em construção civil e em lentes inquebráveis, até a utilização em baterias para celulares, laptops e outros equipamentos eletrônicos.

As pesquisas estão voltadas para a melhoria do processo produtivo dos carbonatos orgânicos, pelo desenvolvimento de catalisadores mais eficientes e baratos. Catalisadores são substâncias que aceleram uma reação química e são o coração de qualquer processo químico industrial, permitindo obter o produto desejado em máxima quantidade e nas condições reacionais (temperatura, pressão e tempo) ótimas. Os estudos também visam desenvolver catalisadores quem utilizem elementos químicos abundantes na crosta terrestre, dentro do contexto da Química Verde. Assim, a importância da pesquisa conjunta entre os grupos brasileiro e britânico não se prende, somente, ao aproveitamento do CO2 a qualquer custo; o contexto é mais amplo, contribuindo para a maior sustentabilidade do planeta, focando na preservação do meio ambiente e das reservas, finitas, de alguns metais comumente usados no processo produtivo dos carbonatos orgânicos.

A colaboração contribui, ainda, para a aproximação científica entre os dois países, através de estágios de estudantes, realização de workshops de divulgação de conceitos da química verde e utilização de CO2, bem como publicações científicas e acadêmicas. O primeiro workshop teve lugar na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em agosto de 2018, e teve como tema principal a Química Verde e a utilização de CO2. Este workshop foi um evento prévio à 16a Conferência Internacional de Utilização de Dióxido de Carbono (ICCDU), que foi realizada no Rio de Janeiro, também em agosto de 2018. Pela primeira vez na história, este importante evento relacionado à sustentabilidade e mudanças climáticas foi realizado em um país em desenvolvimento, contando com mais de 150 participantes de todas as partes do planeta.

Workshop sobre Química Verde e utilização de CO2 na Universidade Federal do Rio de Janeiro, agosto de 2018

Projeto de pesquisa conjunto, Brasil-Reiuno Unido

Universidade Federal do Rio de Janeiro – Universidade de York

 

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