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As mulheres liderando ciência e inovação no Brasil

13.02.2019

Cindy Parker, Gerente Regional de Ciência e Inovação na América Latina, com base na Embaixada Britânica em Brasília.

Para o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, pedimos a mulheres líderes, cientistas e inovadoras envolvidos no Newton Fund para compartilhar suas histórias e celebrar o impacto feminino na ciência.

Eu sou uma recém-chegada no mundo da ciência. Não sou cientista de profissão, mas tenho a sorte de ter um emprego que me coloque em contato constante com uma grande variedade de cientistas e instituições científicas do Reino Unido e do Brasil. Seis meses atrás, assumi o papel de liderar a equipe de Ciência e Inovação na Embaixada Britânica em Brasília. Nosso objetivo é promover a colaboração científica entre o Reino Unido e o Brasil, destacando a excelência científica do Reino Unido e incentivando a colaboração bilateral em pesquisa.

A diplomacia científica, como qualquer forma de diplomacia, está enraizada nos relacionamentos. Nos últimos seis meses, eu tive o privilégio de conhecer muitas pessoas talentosas, comprometidas e inspiradoras que trabalham com ciência no Brasil. Muitas dessas pessoas são mulheres. Ao celebrarmos o Dia Internacional das Mulheres e Meninas da ONU no Dia da Ciência, é a oportunidade perfeita para defender a contribuição de algumas delas.

A professora Maria Zaira Turchi é professora de Literatura Portuguesa, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) e presidente cessante da CONFAP, o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa. As mulheres atualmente lideram apenas duas das 26 FAPs (agências estaduais de financiamento científico) e, portanto, sua eleição como presidente reflete a alta consideração que os colegas têm por ela. Eu conheci a professora Zaira por meio da parceria entre o CONFAP e o Newton Fund, para financiar programas de pesquisa e oportunidades para pesquisadores viajarem e ganharem mais experiência. Sua incansável energia e paixão pela internacionalização da pesquisa científica no Brasil tem sido fundamental para o sucesso desses programas. Ficamos encantados com o fato de a professora Zaira ter aceitado nosso convite para ser Mestre de Cerimônias na recepção do Prêmio Newton no Brasil.

Este ano estamos comemorando o Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e Inovação. Como parte dos eventos do ano, apoiamos o Prêmio Jovens Cientistas no Brasil deste ano, organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ver a criatividade, o otimismo e o talento da próxima geração de cientistas brasileiros foi inspirador. Juliana Davoglio Estradioto, de 18 anos, ganhou o prêmio do Ensino Médio por seu projeto para desenvolver um filme plástico biodegradável feito de casca de maracujá.

Cindy (de branco) com os vencedores do Prêmio Jovem Cientista, incluindo Juliana

Igualmente inspiradores foram os prêmios concedidos aos professores das escolas e professores de faculdades e universidades que haviam orientado, guiado e encorajado os Jovens Cientistas. Todos os vencedores nesta categoria eram mulheres. Jane Tutikian, vice-reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vencedora do prêmio Mérito pelo Ensino Superior, disse que, para ela, “promover a ciência é uma maneira de lutar pelo desenvolvimento do Brasil e efetivamente se comprometer com o desenvolvimento social”.

Professores do Ensino Médio e Superior também foram reconhecidos por seus trabalhos e esforços

Por último, a professora Wal Dutra é uma pesquisadora brasileira sênior da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A professora Wal é especialista em doenças infecciosas e parasitárias humanas, com foco atual na imunologia da leishmaniose humana (uma doença tropical negligenciada). A saúde é uma área prioritária para nosso trabalho científico e nos orgulhamos da força de nossa colaboração bilateral em pesquisa na área de doenças negligenciadas e infecciosas.

Em 2017, pesquisadores britânicos e brasileiros mapearam o genoma do zika, o que ajudará a evitar futuros surtos no Brasil e em outros lugares. Enquanto trabalhava como professora visitante no Reino Unido, a professora Wal conheceu cientistas africanos pesquisando doenças similares e sua visão fez nascer uma colaboração de pesquisa de três vias entre o Reino Unido, o Brasil e a África. Minha equipe está explorando como podemos ajudar Wal a reunir os pesquisadores de cada local para definir os programas conjuntos de pesquisa. Esse tipo de iniciativa, reunindo pesquisadores internacionais e tecnologias de ponta do Reino Unido para enfrentar desafios sociais reais, é o cerne de nosso trabalho sobre diplomacia científica.

O Brasil tem uma riqueza de grandes mulheres trabalhando na ciência. Estes são apenas três exemplos das muitas maneiras pelas quais as mulheres estão promovendo, entregando e liderando aspectos fundamentais do trabalho científico, em parceria com o Reino Unido.

No ano passado, o British Council  no Brasil lançou o programa “Women in Science“, destinado a fortalecer os vínculos entre cientistas do sexo feminino no Reino Unido e no Brasil. Juntamente com meus colegas do British Council, estou ansiosa para continuar trabalhando com as mulheres brasileiras na ciência, defendendo sua contribuição e encorajando outras mulheres a seguir seus passos.

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