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Uma visita ao Brasil como parte do Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e Inovação

Uma visita ao Brasil como parte do Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e Inovação
Admin 28.11.2018

por Ghillean T. Prance FRS, ex-diretor do Royal Botanic Gardens, Kew e professor visitante na Universidade de Reading

Como cientista que trabalha com o Brasil e no Brasil desde 1964, fiquei entusiasmado com o fato de 2018 ter sido declarado o Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e Inovação. Fiquei muito satisfeito em ser convidado pela Embaixada do Reino Unido no Brasil para fazer outra visita ao Brasil. Esta viagem foi uma mistura de eventos organizados pela Embaixada e acompanhamento dos meus vários interesses de pesquisa no Brasil. A visita durante as primeiras três semanas de agosto foi dividida entre três locais familiares para mim: Rio de Janeiro, Belém e Manaus, e por isso descrevo minhas atividades em cada local.

Rio de Janeiro, 1-6 de Agosto de 2018

Minha instituição anfitriã no Rio foi o Jardim Botânico, uma instituição com a qual tenho colaborado por muitos anos e que possui muitas de minhas coleções. Meu objetivo era estudar as extensas coleções da família Humiriaceae no Herbário para coletar dados para uma monografia da família que estou escrevendo para a Flora Neotropica. O Herbário do Rio contém muitas coleções históricas e modernas e é um recurso essencial para tais estudos taxonômicos, estando em colaboração com o Royal Botanic Gardens, Kew em vários projetos diferentes. A embaixada providenciou que eu apresentasse duas palestras no Rio. A palestra no Jardim Botânico foi sobre as evidências biológicas da mudança climática com base nas várias mudanças, que eu e outros biólogos observamos, na fenologia e nas distribuições das plantas. Na segunda palestra, fui participante de um encontro de um dia sobre a Amazônia, organizado pelo maravilhoso Museu do Amanhã. Falei sobre os ecossistemas da Amazônia e os vários problemas que a região enfrenta atualmente. Também foi importante para mim ouvir e aprender com os outros palestrantes, especialmente como um indígena do estado do Acre, e ter discussões com vários cientistas brasileiros, como Carlos Nobre, um velho amigo e especialista em mudanças climáticas.

Belém, 6-11 de Agosto de 2018

Foram dois os propósitos de visitar Belém. Visitei a cidade, principalmente, para participar da conferência Belém+30 da Sociedade Internacional de Etnobiologia, mas também para estudar as importantes coleções de Humiraceae no herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi. Este herbário contém muitas coleções históricas de plantas amazônicas, por isso é essencial estudá-las para qualquer trabalho taxonômico que trate sobre plantas da Amazônia. Eu tenho colaborado com o herbário por muitos anos. Mais de 1500 participantes asistiram a conferência internacional. O mais emocionante para mim foi o número de particpantes indígenas de muitas tribos diferentes. Participei de dois painéis na conferência. O primeiro sobre ética do trabalho etnobotânico e o segundo sobre recursos alimentares da Amazônia. Neste último painel, falei sobre insetos e fungos comestíveis que eu estudei na Amazônia. Lá, encontrei-me ao lado de Resende Sanöma, um índio Yanomami que também falou sobre o uso de fungos comestíveis. Cientistas do INPA Manaus ajudaram a Sanöma a comercializar seus fungos comestíveis com base em minhas pesquisas e publicações sobre eles nos anos 70. Depois de alguma discussão, descobrimos que era a avó de Resende que havia me ensinado tudo sobre os usos do fungo comestível.

Manaus, 11-16 de agosto de 2018

O objetivo do meu período em Manaus foi estudar as grandes coleções de espécimes de Humiriaceae no herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e discutir várias colaborações com o Dr. Michael Hopkins, o chefe do herbário da instituição. O INPA tem sido a base de grande parte da minha pesquisa sobre a Amazônia desde a minha primeira visita em 1965. De 1973 a 1975, eu fui o diretor fundador de seu programa de pós-graduação. Desta vez, durante minha estadia em Manaus, passei tempo considerável discutindo e orientando alguns dos alunos e funcionários do Dr. Hopkins. Também encontrei no Herbário uma nova espécie de Humiriastrum não descrita e publicarei o novo nome em minha monografia.

 

Agradecimentos

Agradeço à Embaixada Britânica por financiar minha viagem ao Brasil, a Rui Lopes por me acompanhar pelo Rio de Janeiro e à Fernanda Hamilton pelo apoio logístico enquanto em Belém.

Ghillean Prance com Resende Sanöma em Belém

Foto feita por Ghillean Prance em 1976 de jovem índio Sanöma com cesta de fungos comestíveis

Ghillean Prance com um grupo de cientistas brasileiros que estudam e comercializam os fungos comestíveis da Sanöma. Atrás à esquerda, o Dr. William Millken, do Royal Botanic Gardens, Kew, que também participou da conferência Belém+30 como parte do Ano Brasil-Reino Unido de Ciência e da Inovação

Um espécime de herbário Endopleura uchi (Humiriaceae) no Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém

 

Entrevistas de imprensa

Jornal O Estado de São Paulo – Interview about climate change in Rio
Revista Sócio Ambiental – interview about Yanomami fungi after the roundtable

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