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A Ciência abre caminhos transatlânticos entre o Brasil e Reino Unido

28.02.2019

Drª. Viviane Mignone, pesquisadora, CAPES – Universidade de Nottingham, Programa Drug Discovery

Nos  últimos 15 anos, o mundo viu o Brasil, com seus 8 516 000  Km2 de território, o maior país da América latina e o 5° maior país do mundo, se tornar de fato, o gigante que ele pode ser. O combate à desigualdade social veio lado a lado com o crescimento econômico e desenvolvimento científico-tecnológico. Conquistamos pela primeira vez um lugar de destaque no cenário mundial que foi além do samba e carnaval.

Eu comecei minha carreira acadêmico-científica justamente na crista dessa onda. Meus projetos de mestrado e doutorado foram voltados para a pesquisa básica em câncer na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pude concluir os projetos sem preocupações com eventuais cortes de verbas e bolsas, pois o investimento em desenvolvimento científico era uma das prioridades do governo.  Essas prioridades mudaram com a mudança das lideranças políticas e apesar da drástica redução de bolsas e investimentos em pesquisa, em 2017, fui selecionada para participar do programa Capes-Drug Discovery, uma parceria iniciada em 2014 entre a agência de fomento CAPES com a Universidade de Nottingham, que possui uma das melhores escolas de farmácia do mundo. Esse programa teve como principal objetivo inserir alunos de pós-graduação e pesquisadores nas diversas fases do processo de descobrimento de novos fármacos. Desde a descoberta de novos alvos farmacológicos e desenho de novas drogas a avaliação das propriedades biológicas da mesma, gerando, assim, a formação de recursos humanos altamente qualificados.

Ir para o Reino Unido foi sair totalmente da minha zona de conforto, tanto pessoal quanto profissional. Eu nunca tinha morado ou trabalhado fora do Brasil e meus projetos anteriores não eram diretamente relacionados com o projeto que desenvolveria lá. Mas a possibilidade de poder ampliar minha área de conhecimento em um setor tão promissor e tão importante para o desenvolvimento de um país, como é a área de pesquisa na área de testes e descoberta de protótipos de novos fármacos e medicamentos, me fez ir sem dúvidas de que era a escolha certa.

E de fato foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Foram 18 meses de muito trabalho, muito aprendizado e muito crescimento. Durante meu período na UoN pude desenvolver não só minha pesquisa, mas também estive em contato com outros projetos, através de colaborações. E isso foi fundamental para que eu pudesse tirar o máximo dessa experiência, aplicar o que eu estava aprendendo em diferentes áreas. O aprendizado nesse período foi muito além da bancada. A convivência com pesquisadores de todos os lugares do mundo com culturas totalmente diferentes da nossa, mas ao mesmo tempo tão receptivos, não deixando essas diferenças serem uma barreira, é muito enriquecedor.

No meu último mês de bolsa ainda tive o privilégio de ter meu trabalho selecionado para uma palestra no congresso Pharmacology 2017. Falar para uma plateia de especialistas não é uma situação confortável, em uma língua não-nativa então, foi bastante desafiador, mas foi a melhor maneira que eu poderia fechar meu período em Nottingham, com o reconhecimento do meu trabalho.

Além de toda a bagagem profissional e pessoal adquirida nesse período, voltei admirando ainda mais os pesquisadores brasileiros, que mesmo com todas as dificuldades que encontramos pelo caminho, como falta de financiamento e uma enorme burocracia para conseguir importar reagentes e equipamentos, conseguimos fazer aqui trabalhos de excelência, e com o incentivo de Programas como o CAPES-Drug Discovery, tendem a se tornam cada vez melhores.

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